Visita do fotógrafo Renato Soares

Neste feriado de Páscoa, a construção da Casa Orgânica recebeu a visita do fotógrafo profissional Renato Soares que fotografou vários detalhes. Pudemos ver de outro ângulo as dimensões do projeto.

As fotos do Renato serão publicadas no livro sobre a casa, que será lançado em breve.

Como o feriado foi movimentado no condomínio, os amigos e vizinhos deixaram muitas latinhas e garrafas que estão servindo de ” tijolos” na obra.

Começamos a fazer uma mureta no quintal, fechando o filtro biológico para as águas negras. Após atingir a altura desejada, o filtro, que já está cheio de pedras e areia, será completado com terra e nutrientes, e receberá as plantas, como bananeiras, para filtrar os resíduos dos vasos sanitários. O esgoto da casa morre aqui. Somente se houver muito excesso, como no caso de uma festa onde os banheiros sejam muito usados, a água negra que sobrar das bactérias e das plantas, vai para um sumidouro, já limpa novamente. Assim o solo não será contaminado usando este sistema de esgoto biológico.

Interessante pensar que as latinhas de cerveja, que ao serem esvaziadas pelos consumidores, inevitavelmente terão seus produtos despejados nos vasos sanitários, contribuem neste caso para um filtro biológico que ajuda a manter a natureza limpa ao redor da Casa Orgânica… Isto é que é reciclagem de resíduos sólidos (e líquidos).

Uso de fundos de garrafas PET como condomínios de bactérias em filtro biológico…

A Casa Orgânica vai ter 3 filtros biológicos internos para águas cinzas, as que vem das pias da cozinha e banheiros, e chuveiros, e 1 filtro biológico externo para águas negras, que vem dos vasos sanitários.

Na verdade, é a mesma água, que após ter sido usada na cozinha e banheiros, vai para os filtros biológicos internos, alimenta plantas, sobe para caixa d’água reusada, e dai vai para os vasos sanitários. Este é o filtro biológico externo, que recebe os resíduos líquidos dos vasos sanitários, depois de terem ido para caixa de bactérias, que quebram sólidos em pequenas partículas, digeríveis pelas plantas.

Aqui o filtro já está preenchido com pedras grandes, que ajudam a filtrar os encanamentos de entrada e saída, e depois com brita, para que a água suba e seja acessada pelas plantas. Em meio a brita, espalhamos os fundos de garrafas PET, para que as bactérias amigas fiquem protegidas nas partes côncavas. A princípio este tamanho de filtro é compatível com o uso da Casa Orgânica, e não devemos ter nada de esgoto saindo da casa. Caso tenhamos muitas visitas, e a água for superior ao volume usual, um tubo extra leva o excesso de água tratada para um sumidouro. A água, se houver, sai da casa depois de ter sido usada 4 vezes!

Este sistema parece inédito e moderno, mas em nosso veleiro, já tínhamos algo semelhante, só que sem as plantas.

É totalmente possível construir por uma fração do custo tradicional…

Foram 4 dias de trabalho, e cerca de 100 reais de material para fazer um muro de 7 metros de comprimento, por quase 3 metros de altura.

Incluindo 3 vigas de concreto, para ficar mais firme no lugar, já que é o muro da garagem da Casa Orgânica.

A junção da parede de garrafas PET com a parede pneus é perfeita.

Após preenchida a parede com massa feita de 3 carrinhos de mão de terra, 1 carrinho de areia, 1 lata de feno seco, e 1/2 lata de cimento, preparamos as vigas para receber o concreto. As madeiras são do início da obra, e já foram utilizadas inúmeras vezes.

Do lado de dentro, com abertura inferior para passar os caiaques e prancha de windsurf, que ficarão pendurados nesta parede. Após as vigas ficarem prontas, retiraremos as tábuas e faremos a cobertura final do muro, que então ficará indistinguível de um muro de tijolos.

Este sistema está sendo usado na Guatemala pela ONG norte-americana http://www.trashforpeace.org/ , que já construiu 9 escolas com ajuda das comunidades. Qual nossa desculpa? Já temos escolas demais no Brasil?

Palestra Planejando uma Vida Sustentável, na Decathlon de Campinas.

A filial da Decathlon de Campinas é a única loja do mundo que tem uma escola de mergulho e operadora de turismo dentro.

Fomos convidados pelo Sergio Viegas, da operadora de mergulho Sailing and Diving, para falar sobre sustentabilidade.

Parte do público era formado por educadores, que vieram ouvir sobre o projeto da Casa Orgânica. Outra parte de esportistas e aventureiros, por isto falamos também como a idéia de construir de maneira sustentável surgiu, quando morávamos no Japão.

O tema da escola de mergulho no Japão, da Expedição Phoenicia, e da Casa Orgânica, prenderam atenção da audiência e houve bastante interatividade e participação do público presente.

Na quarta-feira,

Parede da garagem, de garrafas PET começa a ser construída

Enquanto a laje cura o suficiente para as escoras serem retiradas, e as paredes do interior da  casa estão sendo preenchidas com mistura de 30% de terra, 70% de areia e 10% disto de cimento CP3 (só revestimento externo, pois os vãos entre os pneus já foram preenchidos por barro e feno apenas), vamos realizando algumas obras no exterior também. Aqui preparamos a parede da garagem, ou do quintal, que será o acesso principal a Casa Orgânica.

A armação é de ferro 3/16, mas poderia ser de bambu. Infelizmente não conseguimos este material renovável aqui na região facilmente, e como a quantidade é pequena, usamos barras de ferro.

A armação é preparada contando que a cada 35 cm será o meio de uma fileira de garrafas PET.

A armação é amarrada com arame.

Em seguida as garrafas são inseridas entre a armação. Estamos usando garrafas vazias, mas elas poderiam ser enchidas com lixo plástico, ajudando a dar destinação para poluentes.

Após uma fileira de garrafas ser posicionada, com arame amarramos a armação da frente e de trás da parede a cada 4 garrafas, prendendo-as.

O próximo passo é fazer uma mistura de terra e areia, e um pouco de cimento para dar liga.

O material é colocado manualmente, preenchendo todo um lado da parede. Depois de seco, enchemos o outro lado. O processo se repete até a parede estar toda preenchida. A obra continua…

Primeira laje de garrafa Pet do Brasil completada

O primeiro piso da Casa Orgânica tem 150 metros quadrados de teto. Destes 60 são de laje de concreto CP3, sobre armação de garrafas PET usadas, dos mais diversos sabores.

Enquanto a laje seca, estamos preparando o restante do teto, que é uma combinação de placas de tetrapak sobre caibros de madeira, laminados com fibra de vidro e resina epóxi.

A montagem é simples, e as placas, a prova d’água, podem ser cortadas facilmente e montadas como se fossem placas de madeira comuns.

Recebemos visita da prima Bruna e do namorado, Rafael Silva. Rafael é medalhista do Pan e se prepara para defender o Brasil nas próximas Olimpíadas. A Bruna é modelo da Ford.

A sala de jantar é um pouco mais baixa que os outros cômodos, pelo desenho arquitetônico. Descobrimos que ela tem um Rafael Silva de altura, abaixo da viga, ou seja, 2,03 metros.

A montagem das placas continua.

Alguns cômodos vão ter iluminação através do teto vivo, com luminárias feitas de garrafas cheias de água e água sanitária.

A luz vai ser bem mais uniforme e intensa quando as garrafas estiverem instaladas.

As luminárias feitas de garrafas passam pelas placas, sendo alinhadas e niveladas.

Para segurar as garrafas na posição, até serem laminadas com fibra de vidro junto com o teto, apenas arames trançados.

As  luminárias em posição. Com isto será bem mais fácil encontrar as coisas dentro da cozinha e despesnsa, sem ter que acender a luz elétrica.

A intensidade de luz será maior quando as garrafas estiverem cheias de líquido.

 

 

Preenchimento da Laje da Casa Orgânica

Antes de preencher a laje, tivemos que finalizar a parede que irá segurar o concreto CP3. Acabaram as latinhas de refrigerante e cerveja, então completamos os metros finais com garrafas pequenas de cerveja.

O segredo como na aplicação de latinhas, é manter ao menos 2 cm entre as garrafas, pois a argamassa secando entre elas dá resistência ao sistema.

Com toda a lateral devidamente selada por materiais reutilizados, começamos a preparar o concreto para cobrir as armações de garrafas PET. Neste sistema não precisamos usar tábuas de madeira para fazer caixas ao redor da área da laje, economizando árvores e concreto, pois as latinhas substituem o volume do concreto.

Garrafas Pet em lajes já foi testado por umas 4 universidades brasileiras, que fizeram experiências em lajes pequenas. Mas como nunca vimos nenhuma casa de fato fechada com este método, preferimos não usar concreto usinado, mas sim misturar o nosso mesmo na obra, para ter mais controle se acaso acontecesse algum imprevisto.

Do lado de baixo, maravilha, nenhum vasamento em 60 metros quadrados de laje de Pet. Este sistema de montagem de garrafas com dois gargalos é invenção nossa, com patente para Casa Orgânica, e por isto a apreensão desnecessária.

Do lado de cima, continuamos a preencher a laje. Na verdade, teremos dois tipos de telhados, este de laje de garrafas Pet e cimento dito ecológico, e outro de placas de caixas de leite com cobertura de fibra de vidro. Ambos serão teto vivo, de técnicas e plantas variadas.

Na foto de baixo aparece a chaminé da lareira da sala. Já fomos criticados hoje mesmo, por ter uma chaminé. Quem criticou é de Salvador, então, com certeza, podemos concluir que lareiras não são populares na Bahia. Infelizmente, uma das maiores fontes de poluição vem de fogões a lenha, especialmente de comunidades mais carentes.

Mas a Casa Orgânica tem por objetivo ser modelo para casas sustentáveis de todos os tamanhos, inclusive para as populares, não pretendemos  varrer o problema para debaixo do tapete. Estamos desenvolvendo um filtro para estas chaminés, baseado em desenho milenar, que se der certo poderá ser incorporado em fogões a lenha e lareiras, diminuindo muito a emissão de gases tóxicos.

Com este preenchimento bem sucedido, na próxima Casa Orgânica faremos uso de concreto usinado, mais eficiente na aplicação. A próxima etapa é dar acabamento nas paredes de latinhas, impermeabilizar a laje, e preparar os espaços para receber o teto vivo.

Estamos gravando o documentário, que será lançado junto com o livro da Casa Orgânica, mostra a construção passo-a-passo. Fizemos uma tomada interessante durante todas as horas de preenchimento da laje, que será mostrado em alguns segundos no filme. Para isto montamos a camera Panasonic HD usando sistema de sombrinha da Outex.

 

Montagem da laje de garrafas pet da Casa Orgânica

Um terço do teto do primeiro piso da Casa Orgânica será uma laje de concreto CP3, o concreto ecológico, pois  em sua composição é usado rejeitos da indústria siderúrgica. O restante do teto é uma mistura de placas recicladas de caixas de leite, com fibra de vidro e resina epóxi, que lembra mais o convés de um barco. Desenvolvemos um método inédito de unir duas garrafas de maneira rápida e prática, cujo resultado substitui o isopor ou lajota no preenchimento das vigotas.

Ao usar vigota H5, a montagem é extremamente prática e rápida, bastando encaixar as garrafas, que neste método, passam a ter dois gargalos. O conjunto é extremamente forte, pois qualquer criança pode quebrar uma placa de isopor ou lajota cerâmica apenas pisando nela. Já uma garrafa Pet com ar, nem o homem forte do circo consegue romper…

O resultado é um mar de pet, encaixadas e prontas para receber a grade de ferro que reforça o concreto. Abaixo das garrafas passamos a usar plástico preto fino, para ajudar a fechar as pequenas brechas e evitar que o concreto vaze.

Ao colocar o ferro, as garrafas ficam mais presas ainda a estrutura.

Outra ação inédita da Casa Orgânica é substituir as pranchas de madeira, comumente usadas para selar a área que vai receber a laje, por latinhas de refrigerante e cerveja. As madeiras não podem ser usadas depois, pois como concreto fica preso nelas ao queimá-las toxinas são liberadas no meio-ambiente. Já as latinhas ficam permanentemente no lugar, e até economizam concreto, pois cada 3 latinhas postas ocupam 900ml de concreto.

O Brasil é campeão mundial de reciclagem de latinhas de alumínio, título de orgulha muita gente. Mas se parar para pensar, ao reciclar as latinhas, muita energia e água é usada. Não seria mais inteligente ter embalagens mais eficientes, como retornáveis de vidro? Neste sistema, nenhuma energia ou água extra é usada, e o muro fica tão forte quanto o de tijolo. Já tentou amassar o fundo e tampa circular de uma latinha? É impossível com as mãos…

Recomeço das obras em 2012

Nossa previsão para realizar o projeto da Casa Orgânica era apenas um ano, mas a vida tem uma maneira estranha de mudar nossa linha do tempo.

Ficamos dois anos com  a obra parada, pois tivemos que sair do país para outro projeto, a Phoenicia Expedition. Neste projeto de arqueologia naval, demos a volta no Continente Africano, a bordo de uma réplica fiel de navio fenício de 600 AC, com apoio do Museu Britânico, Universidade de Oxford, e Royal Geographical Society. Lançaremos o documentário da expedição em Londres, agora em final de maio.

Foi muito interessante, pois pudemos visitar lugares exóticos e inimagináveis, como a vila de Matmata, no deserto do Saara, onde 3 mil pessoas moram embaixo da terra, em casas de 800 anos de idade, que usam o mesmo princípio da Casa Orgânica para se manterem frescas o ano todo. Fomos a campo de refugiados da Somália, no Iêmen, ver como nosso processo poderia ajudar milhares de pessoas. Mesmo com muito material de construção em volta (lixo) eles vivem sob sol de 40 graus em tendas feitas com gravetos (comprados) e panos sobre suas cabeças, num calor insuportável.

Logo na primeira semana da retomada das obras, fizemos o fechamento da primeira parede, usando método tradicional de misturar palha seca, terra e areia. Interessante observar que nos dois anos parada,  a obra não apresentou qualquer desgaste, e  os pneus nem se mexeram, apesar das fortes chuvas.

O resultado é impressionante, e toda nossa área de serviço foi fechada em um dia de trabalho.

Esperamos que toda a casa seja fechada dentro de uma semana, logo após o teto ter sido montado.

Para que o Ibama considere este uma destinação oficial para pneus inservíveis, nenhum pneu pode estar a vista com a obra pronta.

Após este processo, pode-se aplicar argamassa para nivelar as paredes, ou deixar elas com relevo.

De fato depois de secas, não dá para ver nenhum pneu ou lata de alumínio. A parede fica a prova de fogo e com isolamento térmico e acústico excepcionais.

Acompanhe daqui para frente o progresso das obras.

 

Exibição da Casa Orgânica no Cineclube Socioambiental Crisantempo

Na quinta-feira dia 31 foi apresentado o filme sobre a vida do arquiteto Michael Reynolds,  criador das casas Earthships. O filme, O Guerreiro do Lixo, mostra a criação do conceito das casas feitas com produtos reciclados e reutilizados como Pneus, garrafas pet, latas de refrigerante e outros. O filme pode ser comprado no link earthship.

A sessão teve sala lotada com quase 200 pessoas. Logo após o filme, Vera e Yuri Sanada apresentaram um curta-metragem mostrando as etapas da construção da Casa Orgânica. Os vídeos completos podem ser vistos no link Vídeos da Casa Orgânica.

O consultor ambiental Alexandre Hirosche apresentou exemplos de sua consultoria ambiental.

E o projeto Zero Waste foi apresentado também. Trata-se de uma votação para uso de lixo reciclado para fazer blocos e outros formatos para construção. Lixo Zero, Arquittura Sustentável, Energia Renovável, pode ser visto no link www.changemakers.com.pt/pt-br/moradiassustentaveis. Entre e vote neste projeto brasileiro que concorre em concurso mundial para apresentação de soluções sustentáveis. Estamos recebendo diversos pedidos para visitação da Casa Orgânica. Basta entrar em contato pelo site da Casa Orgânica e organizar o tempo para a visita.